Ministro da Justiça e dos Direitos Humanos defendeu a importância de preservar a memória dos acontecimentos ocorridos em Angola entre 1975 e 2002.

O ministro da Justiça e dos Direitos Humanos e coordenador da Comissão para a Reconciliação em Memória das Vítimas dos Conflitos Políticos (CIVICOP), Marcy Lopes, destacou a importância da reconciliação nacional e da preservação da memória histórica durante a inauguração do Memorial às Vítimas dos Conflitos Políticos em Angola, realizada em Luanda, no dia 14 de Outubro de 2026.

No seu discurso, o governante afirmou que o memorial representa uma homenagem às vítimas dos conflitos ocorridos no país entre 1975 e 2002, bem como um símbolo de perdão, cura colectiva e superação das mágoas deixadas pelo passado.

Segundo Marcy Lopes, a estrutura arquitectónica do edifício, concebida em forma de abraço, traduz o significado da reconciliação e a necessidade de fortalecer os laços entre os angolanos.

«A história que hoje se regista nas paredes deste Monumento foi escrita com sangue, suor e lágrimas de angolanos», declarou, ao recordar que foram os próprios angolanos que viveram os conflitos, construíram a paz e continuam a participar no processo de reconciliação e reconstrução nacional.

Reconciliação marcada pela memória e pelo reconhecimento das vítimas

Durante a intervenção, Marcy Lopes recordou a mensagem à Nação do Presidente da República, na qual João Lourenço defendeu a necessidade de restaurar o país, curar as feridas do passado e renovar a esperança dos angolanos.

O ministro referiu-se também à carga emocional associada ao processo conduzido pela CIVICOP, incluindo os actos de entrega de restos mortais aos familiares das vítimas. Segundo relatou, esses momentos foram marcados por lágrimas de dor, perda, conforto e perdão, num percurso que permitiu a algumas famílias conhecer o destino dos seus entes queridos.

Para o coordenador da comissão, estas manifestações de emoção não representam fragilidade, mas uma expressão de humanidade perante o sofrimento vivido por tantas famílias angolanas.

Agradecimento às equipas envolvidas no processo

Marcy Lopes agradeceu ao Presidente da República pela iniciativa e pela oportunidade de participar no processo de reconciliação nacional. Reconheceu igualmente o contributo dos membros da CIVICOP, dos governos provinciais, dos órgãos de defesa e segurança, dos especialistas, consultores, funcionários administrativos e de todos os cidadãos envolvidos nos trabalhos.

O governante afirmou que a conclusão do memorial representa o resultado de uma decisão política, de uma visão e do esforço conjunto de diferentes intervenientes.

Na sua perspectiva, o monumento deve servir de referência para as gerações presentes e futuras, recordando que a união e o diálogo são fundamentais para a construção de uma sociedade reconciliada.

«Aqui o abraço solidário virou Monumento. Um Monumento com história, um Monumento com significado, um Monumento para lembrar-nos a todos e às gerações vindouras que abraçar-nos é a primeira opção para mantermo-nos unidos como país, como irmãos, como filhos de uma mesma e única pátria», afirmou.

No encerramento do discurso, Marcy Lopes reiterou a importância de reconhecer o passado e de continuar a trabalhar para a consolidação da unidade nacional, concluindo a sua intervenção com uma mensagem dirigida ao Chefe de Estado: «Excelência Senhor Presidente: valeu a pena!».

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